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No 1º pregão após vitória de Bolsonaro, dólar fecha em alta e vai a R$ 3,70

29.10.2018 17:03 por Redação
Para analistas, ajuste foi pontual já que a eleição do deputado já era esperada pelo mercado; Ibovespa chegou a bater recorde pela manhã
Foto: Divulgação

Após otimismo inicial com a vitória de Jair Bolsonaro na eleição presidencial deste domingo (28), o dólar passou a subir e terminou em alta, em um movimento de ajuste já que o resultado já estava em parte precificado – por conta da vantagem do deputado, o "querido" do mercado financeiro, nas pesquisas eleitorais.

No fechamento, a moeda dos EUA terminou a R$ 3,705, com uma alta de 1,39%. Pela manhã, a divisa despencou a R$ 3,58. Na sexta, a moeda havia caído 1,31% para R$ 3,655.

Já o Ibovespa, referência da Bolsa brasileira, que chegou a subir 3,1% e bater um novo recorde histórico, virou e recuou 2,24% para 83.796 pontos.

Para especialistas, o solavanco deve ser apenas pontual e a cena política ainda favorece a melhora na percepção de risco.

Era esperado que os investidores recebessem bem a escolha do ex-capitão do Exército para a Presidência da República, em meio a apostas de que a sua equipe econômica adotará uma agenda positiva para o país, mas a manutenção do ânimo dependerá de sinais claros sobre o comprometimento da nova administração, em relação à reforma da Previdência, ajuste fiscal e privatizações.

"A lua de mel do mercado tem prazo de validade, que é a primeira grande votação majoritária do governo no Congresso. Até lá o governo vai precisar sinalizar duas coisas: Que irá compor com os demais partidos para criar uma ampla frente parlamentar; Que está de fato comprometido com a agenda econômica reformista e liberalizante que o país tanto precisa", escreveu Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos. 

"Os dois pontos já serão suficientes para injetar ânimo na atividade econômica, porém tudo isso pode ir por água abaixo, caso o governo não consiga aprovar uma reforma da Previdência ainda em 2019", diz o relatório.

No primeiro discurso após derrotar o petista Fernando Haddad no segundo turno da eleição, por 55,1% contra 44,9% dos votos válidos, Bolsonaro afirmou que seu governo será comprometido com a responsabilidade fiscal, ressaltando que o déficit público deve ser eliminado o mais rápido possível e convertido em superávit.

"Quebraremos o ciclo vicioso do crescimento da dívida, substituindo pelo ciclo virtuoso de menores déficits, dívida decrescente e juros mais baixos. Isso estimulará os investimentos, o crescimento e a consequente geração de emprego", afirmou o presidente eleito.

Em coletiva após o resultado da eleição, o economista Paulo Guedes, que comandará o superministério da Economia, que deve unir as pastas da Fazenda e Planejamento, prometeu buscar zerar o déficit fiscal em um ano e disse ainda que a nova administração fará marcos regulatórios para investimentos em infraestrutura, apontando o setor privado como motor do crescimento.

Reformas: dólar a R$ 3,45
Se Bolsonaro conseguir realizar reformas no primeiro semestre do ano que vem, o dólar deve cair para R$ 3,55 daqui três meses e para R$ 3,45 em seis meses, enquanto encerraria o período de 12 meses em R$ 3,40, segundo o Danske Bank.

"O destino do real dependerá principalmente dos primeiros passos econômicos de Bolsonaro, que ele está autorizado a fazer a partir de 1º de 1º de janeiro de 2019", dizem os analistas do Danske Bank. A expectativa é de que a situação fiscal seja ajustada com uma reforma previdenciária e aceleração de privatizações. Também se espera que Bolsonaro corte impostos, "medida que deve ser monitorada de perto, uma vez que pode comprometer os esforços para melhorar o lado fiscal", dizem.

*Com agências


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