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Transporte

Mobilidade reprimida

Linha 15-Prata do Metrô de São Paulo está paralisada desde o dia 27 de fevereiro por problema no pneu de uma das composições

16.03.20 3:27 Modificado em: 13.03.20 19:34

Ainda não se sabe o que pode ter causado a falha (Marcelo Gonçalves/Sigmapress/Folhapress)

Ainda não se sabe o que pode ter causado a falha (Marcelo Gonçalves/Sigmapress/Folhapress)

Os moradores da Zona Leste de São Paulo que utilizavam a linha 15-Prata do monotrilho devem enfrentar mais uma semana de dificuldade. De acordo com o Metrô, responsável pela operação do sistema, ainda não há uma previsão de quando o serviço será normalizado. 
A circulação de toda a linha está paralisada desde o dia 27 de fevereiro, depois que o pneu de uma das composições apresentou problema.
Um grupo de trabalho com funcionários do Metrô e da empresa Bombardier, fabricante dos trens que apresentaram a falha, estão reunidos para investigar o problema e devem apresentar um laudo com a possível causa. 
Por causa disso, os usuários da linha, que desde 16 de dezembro de 2019 opera da estação São Mateus até a Vila Prudente, desfrutaram pouco do tão demandado modal.
“Tive que mudar totalmente minha rotina. Tenho que sair mais cedo de casa. Pegar um ônibus até o metrô Carrão [linha 3-Vermelha], de lá vou até a Sé, faço transferência para a linha 1-Azul e desço na Praça da Árvore. Também estou gastando mais dinheiro, porque agora, pago o ônibus e o metrô. Além de gastar quase uma hora a mais para o deslocamento”, contou a pedagoga Kelly Ferreira Nascente, 33 anos, moradora de São Mateus.
Antes, com o monotrilho, ela utilizava todo o trecho da linha, fazia transferência na Vila Prudente para a linha 2-Verde e depois de lá, para a linha 1-Azul. 
Sindicato dos Metroviários cobra retorno das cabines de operador nos trens do monotrilho
A analista de custo, Gabriela de Mora Silva, 33 anos, também enfrenta mais dificuldade para se deslocar ao trabalho. “Moro próximo a estação São Lucas e a paralisação afetou muito minha rotina. Passei a gastar mais com passagens devido à integração ônibus-metrô”, diz Gabriela, que complementa. “Antes eu só pagava o metrô - porque na altura da estação São Lucas é impossível embarcar nos ônibus da operação Paese (Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência)”.

O sistema Paese foi implantado pela SP-Trans para atender a demanda dos usuários. 
“Além disso, o tempo que gasto para chegar no meu local de trabalho, no Centro, aumentou de 1 hora para 1 hora e 40 minutos”, afirma Gabriela Silva.
De acordo com o Governo de São Paulo, a linha tem capacidade para atender 300 mil passageiros por dia. No pico de atendimento, que ocorreu em fevereiro, foi registrado em média 122 mil usuários por dia. 
O Sindicato dos Metroviários de São Paulo critica a escolha do modal. Para a entidade, a região demanda de metrô e não o monotrilho, que tem menor capacidade. 
“Toda a concepção da linha foi feita de forma equivocada. Não somos contra o modal, mas ele não é viável para essa localidade”, disse o coordenador-geral do Sindicato, Wagner Fajardo.
Repercussão
O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito civil para investigar “possíveis irregularidades” que mantêm a Linha 15-Prata do monotrilho parada. Para o promotor Silvio Marques, o monotrilho vem acumulando “falhas e atrasos em série”, o que prejudica e coloca em risco os usuários.
Em nota divulgada à imprensa, a Bombardier disse que está tralhando “incessantemente com o Metrô de São Paulo para inspecionar e executar testes no sistema de monotrilho da linha 15 a fim de determinar a causa dos incidentes recentes”.
O Metrô informou ao Destak que ainda não há previsão para a normalização da circulação de trens na linha 15-Prata.

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