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Vergonha de ser católico
Publicado em 18/02/2009 - 3 comentários
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Ter fé é a mesma coisa que se olhar no espelho. Enxerga-se o que o desejo permitir



Tem alguma coisa fora do lugar quando um sujeito que é bispo da Igreja Católica diz que não acredita no Holocausto. De duas, uma: ou Deus não existe ou esse bispo é um nazista canalha.

Richard Williamson, o bispo, já havia sido excomungado. O papa Bento 16 revogou a excomunhão dele. Eu acho engraçado: como é que um cara que foi mandado pros quintos dos infernos por um papa que já morreu e que, em tese, segundo os preceitos nas própria Igreja é "infalível"... de repente pode voltar do limbo falando um monte de bobagens em nome de uma religião da qual - até semana passada - eu fazia parte? Richard Williamson, o bispo, ainda é arrogante: diz que eventualmente poderá voltar atrás, mas precisará de um tempo para refletir e estudar o caso com mais atenção.

Enquanto isso, não é só Bento 16 que vai perdendo prestígio (já havia peitado os muçulmanos, agora arrumou encrenca com os judeus), mas é a Igreja Católica que vai encolhendo em detrimento de uma infinidade de outras seitas. Resisti até onde consegui. Eu tenho vergonha de ser católico. Tô fora! E tem mais. O papa está pouco se cagando para o constrangimento dos fiéis. Para ele é uma questão de "qualidade" do rebanho, e não quantidade. Ninguém pode acusá-lo de ser incoerente. A Igreja Católica está no mercado da culpa há 2 mil anos porque é coerente. O problema é que, em vez de a culpa pesar na minha consciência, provoca tesão. O incoerente, portanto, sou eu. Quem não está satisfeito que se retire.

Foi o que fiz. Tchau, Igreja Católica.

Quero mais é que esses padrecos recalcados metidos a nazistas se explodam. O problema é que passei três dias sem rezar o Pai-Nosso, e fiquei sinceramente esvaziado. O que fazer? Ora,o mais óbvio: trocar de religião. De modo que escolhi um diálogo mais humano para me acertar com o sobrenatural, digamos assim.

Se existe uma dimensão tátil para o termo "sobrenatural" isso só é possível ( ou tem cabimento...) no candomblé. Os orixás são despudoradamente interesseiros e vaidosos,e pedem a contrapartida imediata. O treco é palpável. A meu ver, se os Orixás pedirem dinheiro, melhor ainda: isso os aproxima mais do comezinho, do humano torpe, trivial e irrelevante. Cria empatia e identidade. Você, leitor, confia em algo que não seja espelho? Ter fé é a mesma coisa que se olhar no espelho. Enxerga-se o que o desejo permitir, seja para o bem ou para o mal. O que você prefere ver refletido no seu espelho? A carranca de um Ratzinger, a epilepsia dos meganhas neo-pentecostais ou uma Iemanjá linda e sedutora flutuando sobre águas resplandecentes?

Vergonha de ser católico



(Marcelo Mirisola*)

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Fabricia Aparecida da Silva - 26/02/2009 09:19
Lamento pelo infeliz comentário de Mirisola nesta coluna.
Faltou-lhe sabedoria nas palavras. Ele foi muito rude, atacou aquela que segundo ele era a igreja que ele seguia, e escreveu um comentário de forma preconceituosa e ofensiva.
Acredito que um Jornal como Destak não deveria ceder seu espaço para este tipo de comentário. Independente de seu ponto de vista devemos respeitar o nosso próximo. A minha liberdade de expressão termina quando começa a do outro.
E um recado deixo a ele e a todos que lêem este jornal: Deus está acima de qualquer igreja ou religião. E aquele que verdadeiramente segue a Deus deixa os dogmas e paradigmas imposto pelas igrejas dos homens e segue aquele que é um único digno de ser imitado: Jesus.

Mauricio Castrucci - 19/02/2009 23:58
Não cabe a mim julgar ninguém . Mas quem muda de religião por causa de um representante ou uma situação ocorrida que o desagradou , é porque nunca teve fé alguma .

É o caso do autor da coluna e do colega leitor .
Se você não tem fé , boa sorte com sua escolha .

Só tenham respeito pelas pessoas que a tem , pois o seu ateísmo não lhes dão direito de ridicularizar na mídia pessoas de fé , que tiveram a graça de experimentar a real conversão em Jesus Cristo e passaram por uma transformação em suas vidas .

Porque afinal de contas , ter fé é acreditar naquilo que não se pode ver ou provar científicamente .

E Deus é amor . Sinto que não tenham tido a oportunidade de experimentar este amor , mas todos temos livre arbítrio .

E a partir de hoje , não leio mais um jornal que teve a irresponsabilidade de publicar uma coluna dessas , no maior país católico do mundo .

Luis Eduardo Araujo - 18/02/2009 10:08
Faça como eu: Fui a várias igrejas e credos desde minha infância. Encontrei na arte de fotografar, um meio de preencher o vazio que existia em mim. As pessoas não precisam de igrejas para viverem melhor, precisam apenas de algo para desviar o stress diário. PArabéns por resistir de rezar o Pai Nosso. Não existe algo mais maçante do que um monte de palavras que foram " entortadas " durante 2mil anos e que os padres dizem aos fiéis rezarem 30 vezes para redimirem seus pecados...

Amém


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