Mundo
tensão nuclear
Brasil critica sanções ao Irã e quer negociar
Publicado em 10/02/2010 - 0 comentários
Posição brasileira é criticada por diplomatas ocidentais na ONU
Autoridades brasileiras afirmaram ontem que ainda há campo para negociação com o Irã para solucionar o impasse provocado pela decisão do país de aumentar o grau de enriquecimento de seu urânio. EUA, França e Rússia já sinalizam a adoção de sanções contra o país.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ressaltou que as sanções não farão o Irã mudar de posição. "É preciso que haja um diálogo direto. O Brasil está pronto a ajudar." Amorim também deu a entender que há má vontade contra o governo iraniano, mesmo depois de o presidente Mahmoud Ahmadinejad ter afirmado que "não veria problemas" em enviar o urânio para ser enriquecido em outros países. "Acho que o que o Ahmadinejad falou vai ao encontro do que propôs a AIEA, mas é preciso um esforço para checar. A não ser que, por outras razões, achem que é melhor aplicar sanções." O ministro da Defesa, Nelson Jobim, também criticou a "radicalização" do tema e sinalizou que o Brasil poderá manter o apoio ao Irã. "Não somos contra ninguém. Temos a tradição de resolver as coisas no diálogo." Segundo reportagem do jornal francês Le Monde, publicada segunda-feira, diplomatas europeus reclamam que a posição do Brasil tem dificultado a imposição de novas sanções ao Irã pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU. A posição brasileira é similar à da China, que tem poder de veto no CS.l
Embaixada da Itália em Teerã sofre ataqueCerca de cem manifestantes, membros da milícia pró-governo Basij, tentaram invadir ontem a Embaixada da Itália, em Teerã. A informação é do ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini. A imprensa iraniana noticiou o protesto, mas não relatou violências.
Correspondentes estrangeiros avaliam que o protesto está ligado à promessa do primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi, de apoiar o pedido de Israel à ONU para que o Irã receba sanções mais severas.
Frattini disse que os manifestantes gritavam "Morte à Itália, morte a Berlusconi" e jogaram pedras no prédio.
(da redação)
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