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Rio

Transportes custam até 65% da renda em áreas pobres da cidade

25 de Junho de 2017

Pesquisa realizada pelo DAPP (Departamento de Análises de Políticas Públicas), da Fundação Getúlio Vargas, aponta que morar perto do BRT ou do metrô não garante acesso à mobilidade para moradores dos bairros mais pobres servidos por esses modais de transporte.

Na zona oeste, especialmente, o custo das passagens pode comprometer mais da metade da renda mensal per capita média dos moradores, limitando seu uso.

A FGV usou dados do IBGE sobre a renda média de pessoas que moram a até 800 metros de estações de metrô ou BRT.

"Essa é a distância padrão até a qual as pessoas costumam caminhar sem pegar um outro transporte, como ônibus ou van, até a estação", explica a pesquisadora Janaína Fernandes, da FGV, que se baseou em tarifas "cheias" - sem integração, como Riocard.

Com uso somente do metrô, por exemplo, as tarifas já consomem percentuais altos da renda média de quem mora nos bairros mais próximos da Baixada, como em Acari e Fazenda Botafogo, que têm uma estação conjunta.

Andando de metrô em todos os dias da semana, os moradores de seu entorno gastariam mais de 25% da renda per capita.

A situação é pior na zona oeste, a mais servida por estações do BRT, que custa R$ 3,80. O maior custo proporcional verificado foi na Vila Paciência, onde, usando só esse modal diariamente, os moradores comprometem 32,3% de sua renda média per capita, que é de R$ 474. Usando também metrô (R$ 4,10), a proporção vai a 65%.

Em frente à favela do Aço, a estação Vila Paciência está fechada há dois meses, desde que foi queimada e depredada em represália a uma ação da PM que levou à morte de um menino de 12 anos.

Moradora do Cesarão, duas estações adiante, Leila Vale, 59, não usa transporte todo dia, por já estar aposentada do emprego como inspetora de escola municipal.

Com salário mínimo (R$ 937) e a mãe de 84 anos, sem fonte de renda, para cuidar junto com dois irmãos de ganhos semelhantes, sua renda per capita cai a R$ 703.

Assim, ela gastaria mais da metade (R$ 363) utilizando BRT e metrô, sem integração, em todos os dias de semana de um mês com 31 dias. "Mesmo só o BRT, se tivesse que usar todo dia, acho que eu não teria como", lamenta.

Transportes custam até 65% da renda em áreas pobres da cidade
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