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Diversão & Arte

'O que assusta as pessoas é o risco'

18 de Maio de 2017

Mais do que abordar a questão transgênero de forma comum, como muitas outras obras já fizeram, o documentário original da Netflix "Laerte-se", que entra na plataforma hoje, tem uma visão delicada e real sobre a cartunista de 65 anos, Laerte. No entanto, a narrativa não se prende ao seu processo de transformação física e psicológica, mas mostra muito sua relação com o que é ser mulher, de forma geral.

Esse é o ponto forte do primeiro documentário original brasileiro do streaming. Em conversa com o Destak, Laerte se juntou a Eliane Brum, que conduziu as entrevistas da obra, e com a diretora Lygia Barbosa da Silvia, para falar sobre o longa.

"O objetivo era buscar uma outra nudez de Laerte, explorar novas camadas sobre seu trabalho e sua vida", conta Eliane Brum.

"Suas tirinhas sempre fizeram parte de minha vida, e me deixaram inquieta, afinal eu nunca tinha me perguntado 'O que é ser mulher?'", continua.

"Meu objetivo era questionar, e não necessariamente receber, uma resposta. A busca era por perguntas mais complexas e por manter a interrogação sempre."

O documentário, que levou três anos para ser filmado, coloca em pauta várias questões: como a sociedade vê uma pessoa trans; o parlamentarismo e burocracia que os cidadãos enfrentam; e as decisões pessoais, tanto físicas como psicológicas, da pessoa.

"O filme teve um viés muito terapêutico para mim. Lógico que não foi algo espontâneo e que não se resolveu tudo de uma hora para outra, mas ajudou", conta Laerte.

Conhecida por criar personagens que falam sobre a questão de gênero, a cartunista não se considera humorista.

"Nas minhas tirinhas, sempre existiu a sensação de segurança que não estavam comigo. Tem sarcasmo, ironia. Você supõe que é seguro. Não sei se me considero humorista, porque eles têm um ar meio conservador de lidar com a realidade. Não gosto disso", diz.

Risco

Demorou 60 anos para Laerte se assumir como uma mulher transgênero. Apesar disso, ela não acha que esse ato mereça ser chamado de "corajoso."

"O que assusta as pessoas é o risco. O meu foi bem calculado. Não vejo coragem nele. Os jovens que enfrentam balas todos os dias por expor o que sentem, eles sim estão sendo corajosos", pontua.

"Laerte-se' mostra que questão de gênero vai além da pessoa trans, travesti ou drag. Ele aborda a relação entre homem e mulher, abuso, estupro; representação das mulheres na política, no mercado de trabalho. Tudo isso é importante", fala a cartunista.

Objetivo

"Espero que o documentário dê coragem para os jovens trans", aponta Laerte.

"Quando eu era jovem, e comecei a perceber sentimentos homossexuais, eu não tinha um modelo, o que deixou tudo mais difícil. Espero que ele consiga desmistificar todo esse assunto, e tratar isso como uma questão simples. As pessoas ainda vivem com isso como se fosse uma maldição."

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