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Diversão & Arte

O jogo da imitação, ou 'Vida' imita a arte

20 de Abril de 2017

"Vida", filme sobre uma saga de sobrevivência no espaço profundo, que estreia hoje nos cinemas brasileiros, tem tanto DNA xenomorfo* em sua essência que beira a violação de direitos autorais. David Jordan (Jake Gyllenhaal), Miranda North (Rebecca Ferguson), Rory Adams (Ryan Reynolds), Sho Murakami (Hiroyuki Sanada), Ekaterina Golovkna (Olga Dihovichnaya) e Hugh Derry (Ariyon Bakare) fazem parte da tripulação de uma estação espacial e estão prestes a fazer uma das descobertas mais importantes da história científica: recolher a primeira evidência de vida proveniente de Marte.

Após estudos iniciais, eles percebem que o organismo unicelular - a quem batizam "carinhosamente" de Calvin - tem vida própria, e não fazem ideia da força e inteligência que ele pode desenvolver. É apenas questão de tempo para que a coisa se transforme em uma criatura bizarra capaz de causar terror nos personagens e, por tabela, no espectador.

Em vez de antropomorfizar seu monstro, o cineasta sueco Daniel Espinosa ("Crimes Ocultos") o concebe como a encarnação sem face do instinto de sobrevivência. O contraste entre a criatividade instantânea, - adaptar-se ou morrer - de Calvin e os tempos de resposta comparativamente pessimistas de suas vítimas dá ao filme uma energia estranhamente impiedosa, ao mesmo tempo que indica um dos pontos fracos do longa: seus jogadores humanos são monótonos ao ponto de parecerem dispensáveis.

O roteiro elabora série de anedotas desnecessárias e informações banais para criar histórias de fundo para cada personagem. Mas após a introdução dos mecanismos de suspense e horror, isso é deixado para trás. Em contrapartida, a nova atmosfera faz com que a trama ganhe certo ritmo.

O elenco de machos alfa Ryan Reynolds e Jake Gyllenhaal, em frente a um grupo de atores internacionais menos conhecidos, estabelece uma hierarquia que o roteiro não necessariamente respeita. Reynolds parece estar mais à vontade em seu papel. Já Gyllenhaal que, lançando mão de sua estranheza peculiar já ofereceu interpretações admiráveis, como em "Os Suspeitos" (2013) e "O Abutre" (2014), é indiferente ao ponto da catatonia.

O longa desenvolve-se como um thriller em que as apostas são quase inteiramente abstratas. A batalha campal a bordo da Estação Espacial converte-se em uma luta pelo destino da humanidade, mas os humanos em questão não são suficientemente envolventes e capazes de nos fazer sentir seguros e amparados.

Infelizmente, "Vida" não passa de uma imitação fraca de "Alien" (1979) e "O Enigma de Outro Mundo" (1982), filmaços clássicos de Ridley Scott e John Carpenter, respectivamente. Funciona só para quem não viu nenhum dos dois.

*Xenomorfos são uma raça alienígena da série de filmes "Alien".

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