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Brasil

Propina em presídio aceita cartão

21 de Janeiro de 2014

Agentes e diretores da penitenciária estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, na Grande Natal, recebiam propina em cartão de crédito, de acordo com investigação do Ministério Público estadual do Rio Grande do Norte.

Dois ex-diretores do pavilhão Rogério Coutinho Madruga - unidade da penitenciária - estão na mira da investigação. Um deles, Alexandre Medeiros de Assis, pediu ao preso Walker A. da Silva até o favor de usar seu cartão de crédito para comprar, em 2 de setembro de 2013, uma bomba d'água e equipamentos para obras, por R$ 815.

Outro preso, José Welton de Assis, usou o cartão de crédito para pagar a Alexandre R$ 10 mil, em parcelas de R$ 1 mil, durante dez semanas, para poder trabalhar fora do presídio - benefício ao qual ele não tinha direito - de acordo com o Ministério Público.

O mesmo José Welton teria pagado R$ 15 mil a outro ex-diretor do presídio, Adalberto Luiz Avelino, para levá-lo até o Sergipe - a propina incluiria a transferência de um estado para o outro.

De acordo com a revista "Veja", os quatro promotores do MP que trabalham no caso pedem prisão por crime de corrupção passiva para Alexandre Medeiros de Assis, de quem cobram afastamento imediato de suas funções como agente penitenciário.

Embora tenha sido afastado da unidade investigada, ele continua trabalhando no sistema prisional e teria cobrado mais R$ 50 mil para dar novas regalias a presos.

A ONG internacional Human Rights Watch criticou as torturas em presídios brasileiros como um "problema crônico"em seu Relatório Mundial de Direitos Humanos de 2014, divulgado ontem.

Ele aponta que autoridades "raramente são levadas à Justiça" por abusos contra detentos - a condenação de 48 PMs pelas 111 mortes de presos no Carandiru é citada como exceção.

"A superlotação [com cerca de 550 mil presos, 43% acima da capacidade] e a falta de saneamento facilitam a propagação de doenças", aponta ainda o relatório da Human Rights Watch.

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