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Brasil

'Não renunciarei'

18 de Maio de 2017

O presidente Michel Temer subiu ao púlpito no salão leste do Palácio do Planalto para negar qualquer possibilidade de deixar o govermo. "Não renunciarei. Repito: não renunciarei! Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos", disse Temer. No canto esquerdo do salão, um grupo de aliados do peemedebista aplaudiu as falas, que duraram menos de cinco minutos.

O presidente negou que tenha dado o aval para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). "Em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém. Por uma razão singelíssima: exata e precisamente porque não temo nenhuma delação, não preciso de cargo público nem de foro especial", declarou.

Temer chamou as gravações da conversa com o empresário Joesley Batista de "clandestinas", e disse que pediu para ter acesso aos arquivos com os diálogos, mas que até o momento do pronunciamento não tinha conseguido. O conteúdo das gravações teve o sigilo levantado no início da noite de ontem. A princípio, foram disponibilizadas ao presidente, e, em seguida, tornadas públicas.

Na gravação, o peemedebista diz que "Eduardo [Cunha] resolveu me fustigar", e lembra que o juiz Sérgio Moro indeferiu 21 perguntas de Cunha a ele. "Era pra amedrontar", conclui Temer.

Joesley Batista diz: " Eu tô lá me defendendo. Como é que eu... O que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora. Eu tô de bem com o Eduardo [Cunha]". Na sequência, Temer responde: "Tem que manter isso, viu?" e o empresário acrescenta: "Todo mês, também... Eu tô segurando as pontas, tô indo. Tem os processos. Eu tô meio enrolado aqui, né, no processo, assim".

Logo em seguida, o dono da JBS diz que "deu conta" de um juiz e que "conseguiu" um procurador dentro da força-tarefa para lhe passar informações privilegiadas. O empresário é investigado na Operação Greenfield, que apura fraudes em fundos de pensão. "Eu consegui um procurador dentro da força-tarefa, que também está me dando informação. E lá eu tô [sic] para dar conta de trocar o procurador que está atrás de mim. Se eu der conta, tem um lado bom e um lado ruim: o lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal e o lado ruim é que se vem um cara com raiva que e não sei o quê...".

O procurador da República em questão é Ângelo Goulart Villela, que foi alvo de um mandado de prisão preventiva na Operação Patmos, deflagrada ontem pela Polícia Federal.

Ele atuava no Ministério Público Federal junto ao Tribunal Superior Eleitoral.

Desculpas

A empresa JBS divulgou nota ontem à noite. No documento, Joesley Batista admite erro e pede desculpas ao povo brasileiro. "Não honramos nossos valores quando tivemos que interagir, em diversos momentos, com o Poder Público brasileiro. E não nos orgulhamos disso". O empresário diz que fechou acordo com o Ministério Público. "Assumimos aqui um Compromisso Público de sermos intolerantes e intransingentes com a corrupção", diz o documento.

A empresa segue o exemplo da Odebrecht, que divulgou em dezembro do ano passado uma nota admitindo as práticas ilícitas e pedindo desculpas. O documento saiu no mesmo dia em que ex-executivos da empreiteira começaram a assinar acordo de delação.

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